terça-feira, 21 de maio de 2013

"Histórias de uma bilheteria - As aventuras de um bilheteiro destemido" - Parte 4

Essas duas histórias não aconteceram dentro das bilheterias, mas ao meu ver fazem parte do "Combo" que eu ganhei ao resolver trabalhar no Botafogo:

História 1: 

Dia desses, fui trocar as pastilhas de freio da minha moto em uma oficina, e de acordo com os dizeres escritos na parede da mesma, ao comprar as pastilhas de freio a troca seria feita gratuitamente como cortesia da casa.
Na hora de trocá-las eu ainda ouvi o mecânico falando para outro mecânico:
- Dá até vontade de não trocar essa porra, esse aí foi o filho da puta que não quis me vender meia entrada pro jogo do Coringão, gastei 30 conto a mais por sua causa desse desgraçado... 
Eu fingi que não ouvi, que não era comigo, e instantes depois o mecânico voltou com a minha moto, abriu um sorriso forçado e disse:
- Muito obrigado senhor, tenha uma boa tarde e volte sempre a nossa loja!
Eu juro que fiquei com medo, passei uma semana andando devagar e testando meus freios a toda instante para comprovar que ele não fez nenhuma besteira com a minha moto.

História 2: 


Já passei inúmeras situações inusitadas trabalhando nos jogos do Botafogo, mas ser jurado de morte por um ambulante não estava nos meus planos. 

Pô, foi a primeira vez que recebo uma ameaça de morte, mas algo me diz que será a primeira de muitas. 
O pior de tudo é que tudo isso foi por causa de uma caixa de água mineral, que ele vendia de forma ilegal dentro do Estádio. A caixa de água em questão que ele vendia tinha 40 copos de água, que eram vendidas por 3 reais cada, ou seja, minha vida está valendo cerca de 120 reais. Acho que tá um valor justo.
Se bem que, se pensarmos bem, o copo de água que ele estava vendendo (era um copo pequeno de 200ml de uma marca barata), custa para ele cerca de 48 centavos, então podemos recalcular que a minha vida tá valendo cerca 19 reais. É acho que a cotação do valor da minha vida não tá valendo muita coisa. 

Em outro jogo, o Policial ameaçou me prender, neste fui jurado de morte, no próximo o que acontecerá?


Por essas e outras que eu acho que o Botafogo deveria me dar um seguro de vida.

Aliás, quando eu morrer, eu acho que a diretoria poderia colocar uma plaquinha com o meu nome na bilheteria, do tipo: "Bilheteria Fernando Sadano!" em homenagem aos bons serviços prestados. 


Eu brinco com tudo isso, mas uma coisa é certa, eu não conseguiria ficar longe dessas coisas, o Estádio Santa Cruz é a minha segunda casa!!!

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